Como calcular o preço do seu serviço
A conta que separa faturamento de lucro
Quase todo mundo do ofício forma preço do mesmo jeito: pergunta quanto os outros cobram e tira um pouco. Funciona até o mês em que aparece um imprevisto — e aí descobre-se que o preço nunca cobriu o que custava trabalhar, só o que custava o material.
Esta é a conta inteira. Ela não diz quanto você deve cobrar: diz qual é o piso abaixo do qual você está pagando para trabalhar.
1. Descubra quanto custa uma hora sua
Some tudo o que sai da sua conta todo mês para você existir como profissional: telefone, combustível, manutenção da van, ferramenta que se gasta, contador, MEI, seguro, e o que você precisa levar para casa. Divida pelas horas que você realmente consegue vender no mês — e aqui está o erro mais caro do ofício: ninguém vende 176 horas. Entre orçamento, deslocamento, compra de material e o serviço que não fechou, o normal é vender de 90 a 120.
2. Some o que aquele serviço consome
- Material, pelo preço que você paga hoje — não pelo da última compra, se a última foi há seis meses.
- Horas do serviço, multiplicadas pelo custo da sua hora.
- Deslocamento: ida, volta e o tempo parado no trânsito. É trabalho que você faz e quase nunca cobra.
- Ajudante, quando houver, com o custo real dele e não só a diária.
- Desgaste de equipamento: disco, broca, lixa, serra. Individualmente é centavo; no ano, é uma ferramenta nova.
3. Ponha imposto e margem, nessa ordem
Imposto não é margem: é custo. Se você é MEI, a parcela mensal está no custo fixo do passo 1 — mas se emite nota com percentual sobre o serviço, esse percentual entra aqui, calculado sobre o preço final e não sobre o custo (senão falta).
Só depois vem a margem, que é o que sobra para crescer: comprar ferramenta melhor, aguentar um mês fraco, tirar férias. Trabalhar com margem zero é o mesmo que não ter reserva — e é por isso que um imprevisto vira dívida.
Um exemplo fechado
| Linha | Conta | Valor |
|---|---|---|
| Custo fixo do mês | telefone, combustível, ferramenta, MEI, retirada | R$ 4.800 |
| Horas vendidas no mês | não 176 — o que sobra depois de orçar e se deslocar | 110 h |
| Custo da sua hora | 4.800 ÷ 110 | R$ 43,64 |
| Serviço de 6 horas | 6 × 43,64 | R$ 261,84 |
| Material | pelo preço de hoje | R$ 180,00 |
| Deslocamento | 1h30 de ida e volta | R$ 65,46 |
| Piso do serviço | abaixo disso você paga para trabalhar | R$ 507,30 |
| Com 25% de margem | 507,30 ÷ 0,75 | R$ 676,40 |
Os números são de exemplo. O que não é exemplo é a ordem das linhas: material por último e hora por primeiro é o que muda o resultado.
O que fazer com esse número
Compare com a faixa que o mercado pratica — e se o seu piso ficar acima dela, o problema não é o seu preço: é o seu custo, ou são as horas que você não está conseguindo vender. Baixar o preço abaixo do piso não resolve nenhum dos dois.
E discrimine no orçamento. Um total sozinho convida ao desconto; material, mão de obra e deslocamento em linhas separadas mostram por que o número é aquele — que é a única defesa de preço que funciona sem discussão.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar por hora de serviço?
Não existe valor de tabela: o seu custo por hora sai do seu custo fixo mensal dividido pelas horas que você realmente vende, que quase nunca passa de 120 por mês. Feita essa conta, some material, deslocamento e margem. O que o mercado pratica serve para conferir se você está fora da curva, não para formar o seu preço.
Devo cobrar a visita para fazer o orçamento?
Visita com diagnóstico é trabalho: deslocamento, tempo e conhecimento. O caminho que menos assusta o cliente é cobrar a visita e abatê-la do serviço se ele fechar — e deixar isso escrito no próprio orçamento. Quem não cobra acaba financiando as visitas de quem nunca vai fechar.
Como cobrar o deslocamento?
Como item próprio, com o tempo de ida e volta multiplicado pelo custo da sua hora, mais o combustível. Embutido no preço do serviço ele desaparece — e some junto o argumento na hora em que o cliente pergunta por que o vizinho pagou menos por um serviço igual a 30 km dali.
Meu preço ficou acima do que o mercado cobra. E agora?
Duas possibilidades, e nenhuma se resolve baixando o preço: ou o seu custo fixo está alto para o volume que você faz, ou você está vendendo poucas horas por mês — perdendo tempo em orçamento que não fecha, deslocamento mal planejado ou compra de material. Baixar o preço abaixo do piso só transfere o prejuízo para o mês seguinte.
Preços e telas dos outros aplicativos conferidos em 30 de agosto de 2026.
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